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Endometriose

Mulheres ouvem que ter cólica intensa é normal, é da mulher ou até mesmo que mulher tolera melhor a dor. Mas cuidado! Cólica intensa pode ser um sinal de endometriose e deve ser investigado para não piorar o prognóstico da doença.

Vamos entender mais sobre o assunto?

 

O QUE É A ENDOMETRIOSE?

Você já deve ter ouvido falar sobre a endometriose, mas é importante saber exatamente o que é a doença, como ela surge e quais sintomas ela pode ocasionar para que a pessoa que desenvolve a doença entenda como ela acontece e busque a melhor estratégia de tratamento junto ao seu médico, para evitar complicações teciduais mais graves nos órgãos da região pélvica.

A endometriose é uma doença crônica e recorrente que muitas vezes vem acompanhada de dor na região da pelve, como cólicas intensas até mesmo fora do período menstrual e também  dor durante a relação sexual. Mas é preciso ficar atenta, pois ela também pode se desenvolver de forma silenciosa, sem a manifestação de nenhum sintoma e interferir na fertilidade, por exemplo.

Estima-se que a endometriose atinja 12 a 32% das mulheres com dor pélvica crônica, podendo estar presente em cerca de 50% das mulheres com história de infertilidade.

A doença acontece quando o tecido endometrial, ou seja, o tecido que reveste a camada mais interna do útero, chamado endométrio, se implanta fora da cavidade uterina. Ou seja, um tecido celular que é natural do útero se instala em outro local. Isso pode acontecer em qualquer localização, mas é mais frequente nos órgãos pélvicos pela localização próxima.

A endometriose pode causar aderências entre os órgãos pélvicos, formar cistos nos ovários destruindo o tecido saudável, formar fibrose e aumentar substâncias inflamatórias na pelve. Uma combinação de fatores que pode prejudicar a fecundação natural e interferir na fertilidade.

 

O QUE CAUSA A ENDOMETRIOSE?

Existem muitas pesquisas e diversas teorias que buscam explicar o que causa a endometriose. Porém, apesar desse avanço científico, não podemos dizer que existe uma causa única para o aparecimento da doença, mas sim um conjunto de fatores que favorecem o desenvolvimento da mesma em algumas mulheres.

A principal teoria, e mais aceita, é conhecida como menstruação retrógrada. É quando o sangue da menstruação sofre uma espécie de refluxo para a cavidade pélvica por meio da trompas. Ou seja, ao invés de sair pela cavidade uterina uma quantidade desse sangue “volta” pelas trompas. E então, essas células do endométrio, podem acabar se instalando na parede de outros órgãos que também se situam na região pélvica, formando a endometriose.

Uma vez que as células do endométrio se instalaram em outros órgãos, a cada ciclo menstrual, quando os ovários liberam o hormônio estrogênio, essas células podem crescer e se inflamar, causando dor. Com o tempo, essas inflamações formam cicatrizes e nódulos, provocando cistos e aderências no tecido da região pélvica e agravando os sintomas.

É importante citar que muitas mulheres apresentam algum grau de menstruação retrógrada em algum momento da vida, mas nem todas desenvolvem a doença, pois existem outros fatores determinantes para que isto aconteça. O sistema imunológico deficiente, assim como a genética, fatores ambientais e hormonais também são considerados pontos que influenciam no surgimento da endometriose.

 

EM QUE ÓRGÃO ISSO PODE ACONTECER?

  • Tubas uterinas
  • Ligamentos útero-sacros
  • Ligamentos largos
  • Ovários
  • Retossigmoide (segmento específico do intestino grosso)
  • Intestino delgado
  • Vagina
  • Bexiga
  • Ureter
  • Camada muscular do útero (miométrio): leva o nome de ADENOMIOSE

 

QUAIS SÃO OS SINTOMAS MAIS COMUNS?

Os sintomas clássicos de endometriose são: cólica progressiva, dor profunda durante o ato sexual, dor pélvica crônica, dor abdominal ou lombar e infertilidade.

Tais sintomas acentuam-se perto do período menstrual, onde o estrogênio o hormônio feminino, está presente em maiores quantidades, mas pode persistir após o término do fluxo. Por outro lado, durante a gravidez e na menopausa os sintomas aliviam.

Por conta principalmente da dor crônica a endometriose gera também consequências emocionais, redução das atividades, isolamento social, interferindo também nas relações afetivas e familiares. Por isso, na presença de algum dos sintomas listados abaixo, procure seu médico.

  • Cólica menstrual (Dismenorréia): é a queixa mais frequente. Muitas pacientes não conseguem trabalhar devido à intensidade das dores. Pode ser leve, moderada, intensa e até causar Dor pélvica crônica, que é a dor que acontece fora do período menstrual. Pode se manifestar também como dor lombar.
  • Dor durante as relações sexuais (dispareunia): principalmente na penetração profunda.
  • Sangramento uterino anormal: principalmente como pequenos sangramentos no meio do ciclo (“spottings”) ou hemorragias. Pode ser um indício da ADENOMIOSE.
  • Alterações intestinais cíclicas: Constipação, diarreia, sangramento retal, dor para evacuar e vontade de evacuar com o intestino vazio durante o período menstrual. Pode ser um sintoma de endometriose intestinal.
  • Alterações urinárias cíclicas: quando a endometriose acomete a bexiga, uretra, ureteres ou rins, causando aumento da frequência das micções, dor e, em casos mais profundos, sangramento ao urinar.
  • Infertilidade: mesmo sendo leve, a endometriose pode causar infertilidade prolongada.

 

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

Diz-se que a cólica é uma dor normal no período menstrual e, por conta dessa crença, muitas mulheres não procuram tratamento na presença de dor intensa nesse período. É fundamental procurar o ginecologista para os exames físicos, de imagem e de diagnóstico.

A partir do relato da mulher sobre os sintomas, inicia-se o processo para identificar o que está acontecendo e verificar se existe a endometriose. Um ponto interessante é que não existe relação direta entre o grau de severidade da doença e a intensidade ou quantidade de sintomas presentes. Ou seja, a presença de forte dor pode não ter relação com a gravidade ou o avanço da doença.

Além da análise dos sintomas, é realizado um exame físico, numa avaliação ginecológica minuciosa a partir do exame de toque vaginal que permite avaliar a posição do útero e sua mobilidade, o volume dos ovários, a dor à mobilização e possíveis nódulos. Alguns exames podem complementar o diagnóstico como o ultrassom e a ressonância magnética. A confirmação do diagnóstico é realizada a partir de biópsia das lesões.

Os exames complementares à consulta são:

  • US transvaginal idealmente com preparo intestinal
  • CA 125: pode sugerir endometriose
  • Ressonância magnética
  • Colonoscopia

 

COMO É O TRATAMENTO DA ENDOMETRIOSE?

São bastante diferentes se a paciente quer engravidar ou não e se a paciente tem dor.

  • Se não quer engravidar e as lesões são estáveis, podemos lançar mão da pílulas anticoncepcionais orais combinadas, progestágenos isolados (desogestrel, dienogeste), e análogos do GnRH. Essas medicações tentam reduzir os níveis de estradiol e assim reduzem a dor e a progressão da doença.
  • As cirurgias, idealmente minimamente invasivas, por Laparoscopia, são indicadas por falha do controle da dor com as medicações descritas acima ou se a localização da lesão e ou tamanho forem preocupantes.

 

ENDOMETRIOSE CAUSA INFERTILIDADE?

É perfeitamente possível engravidar mesmo tendo o diagnóstico da endometriose. Mas por ser mais frequente em mulheres que tem dificuldade para engravidar, sugere-se que a doença pode causar alguns fatores da infertilidade.

  • Por lesão nas trompas, que dificultam o encontro dos espermatozoides e óvulo.
  • Alterações imunes e inflamatórias, em que o embrião é atacado antes mesmo de implantar.
  • O endométrio não se desenvolve adequadamente, sendo um ambiente “hostil” a implantação.

Se você tem endometriose e está tentando engravidar, recomendamos que busque um especialista para uma avaliação. Cada caso é um caso, e deve ser avaliado levando em consideração outros fatores como a idade da mulher, a reserva ovariano, a qualidade do sêmen do parceiro.